O Evangelho Segundo o Diabo
- Bruno César Vieira

- 8 de dez. de 2025
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Atualizado: 17 de dez. de 2025
O punho cerrado é meu pastor, e nenhum dente na boca do estômago lhe sobrará.
Te deito na porrada nos verdes pastos da minha consciência e te afogo, manso e tranquilamente, no sangue da sua goela que esculpi em carmim.
Congelo tua desculpa com ódio, e minha sentença transborda. Te guiarei pela vereda do inferno na tristeza e na justiça e não terei como ser amável sob essa decisão inapelável.
Com minha vara, eu te maltrato calejado, e ao final dessa dança entendera porvir que não estou brincando só de vingança.
Eu, que já andei pelo vale da sombra e da morte, te apresentarei todo o mal com muita dor por vir. Justificarei então meu nome em tua morte: serei eu quem te castigo.
Preparei uma mesa diante do medo que tens de si. Ungindo tua cabeça com o óleo quente do pão que amassei pra ti.
Certamente que minha maldade e minha iniquidade não terão misericórdia sob a tortura que te seguirei por todos os últimos malditos dias da tua vida.
Habitando em sofrimento na casa do diabo por longos e brutos dias.
Te amei.